"Não se assuste pessoa
se eu lhe disser que a vida é boa
não se assuste pessoa
se eu lhe disser que a vida é boa
Enquanto eles se batem, dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia,
Eu não tenho nada
Antes de você ser eu sou
Eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés
eu sou, eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés
E só vou beijar no rosto de quem me dá valor
Pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis
Eu sou, eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés
eu sou, eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés"
Os novos baianos cantavam assim em "Juízo Final" (Compacto 1971). O segundo disco do grupo, Acabou Chorare, que mescla guitarra elétrica, baixo e bateria com cavaquinho, chocalho, pandeiro e agogô, foi eleito pela revista Rolling Stone como o melhor disco da história da música brasileira em outubro de 2007.
thick as a brick, Jethro Tull, 1972.
"Deixe-me contar-te as histórias de sua vida
Do seu amor e o corte da faca
Da opressão incansável, da sabedoria instilada
Do desejo de matar ou ser morto
Deixe-me cantar sobre os perdedores estirados
Na rua enquanto o último ônibus passa
As calçadas estão vazias
Nas sarjetas escorre o vermelho
Enquanto o tolo brinda seu deus no céu"
Thick as a brick, Jethro Tull, 1972.
Do seu amor e o corte da faca
Da opressão incansável, da sabedoria instilada
Do desejo de matar ou ser morto
Deixe-me cantar sobre os perdedores estirados
Na rua enquanto o último ônibus passa
As calçadas estão vazias
Nas sarjetas escorre o vermelho
Enquanto o tolo brinda seu deus no céu"
Thick as a brick, Jethro Tull, 1972.
sábado, 30 de junho de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Eu me preparei,
tomei banho,vesti uma roupa qualquer,
não quis usar perfume e nem batom,
sentei-me na cadeira mais próxima a porta de saída,
planejava fugir,mas não resolveria nada,
entre um gole e outro do mais barato vinho
eu chorei,acho que estou sendo modesta,
eu solucei como se eu tivesse perdido uma guerra
e tudo ficasse sem sentido.
Ouvi alguém chamar meu nome,me esforcei pra
abrir a porta e fingi um breve sorriso,
então das mãos frias da minha indesejada visita
peguei uma carta,eu até já previa o que iria ler,
mesmo assim fiz questão de soletrar mentalmente tudo ali escrito,
engoli cada palavra como se tomasse um litro de pimenta pura,
em poucos minutos fitei a porta e tive a certeza
quando olhei em seus olhos,era chegada a hora de ir.
Andamos então pelas ruas e enfim chegamos ao endereço
destinado que me foi mandado em palavras sucintas,
eu já havia estado ali antes,
saquei meu revólver simples,de liquidação no mercado negro
e entrei na casa,revistei tudo mas não havia ninguém lá,
que tipo de trabalho era este então?
Foi aí que entendi o que significava a última oração da carta que recebi:
chegando lá,dentro da imensidão do nada,lembre-se de eliminar
a única pessoa que lhe fez mal.
Neste caso,era eu mesma.
Prazer,eu me chamo a morte,e foi assim
que eu comecei a trabalhar,
matando a mim mesma
Ana Clara Duarte
tomei banho,vesti uma roupa qualquer,
não quis usar perfume e nem batom,
sentei-me na cadeira mais próxima a porta de saída,
planejava fugir,mas não resolveria nada,
entre um gole e outro do mais barato vinho
eu chorei,acho que estou sendo modesta,
eu solucei como se eu tivesse perdido uma guerra
e tudo ficasse sem sentido.
Ouvi alguém chamar meu nome,me esforcei pra
abrir a porta e fingi um breve sorriso,
então das mãos frias da minha indesejada visita
peguei uma carta,eu até já previa o que iria ler,
mesmo assim fiz questão de soletrar mentalmente tudo ali escrito,
engoli cada palavra como se tomasse um litro de pimenta pura,
em poucos minutos fitei a porta e tive a certeza
quando olhei em seus olhos,era chegada a hora de ir.
Andamos então pelas ruas e enfim chegamos ao endereço
destinado que me foi mandado em palavras sucintas,
eu já havia estado ali antes,
saquei meu revólver simples,de liquidação no mercado negro
e entrei na casa,revistei tudo mas não havia ninguém lá,
que tipo de trabalho era este então?
Foi aí que entendi o que significava a última oração da carta que recebi:
chegando lá,dentro da imensidão do nada,lembre-se de eliminar
a única pessoa que lhe fez mal.
Neste caso,era eu mesma.
Prazer,eu me chamo a morte,e foi assim
que eu comecei a trabalhar,
matando a mim mesma
Ana Clara Duarte
domingo, 24 de junho de 2012
"... viu o chuvisco eterno, a bruma matinal com cheiro de fuligem, os homens vestidos a rigor nos bondes elétricos, os enterros de nobres nas carruagens góticas de percherões brancos com morriões de plumas, as crianças dormindo enroladas em jornais no átrio da catedral, porra, que gente tão estranha, exclamou, parecem poetas, mas não eram, meu general, são os godos do poder, disseram-lhe e, havia regressado daquela viagem irritado pela revelação de que não há nada igual a este vento de goiabas podres e este fragor de mercado e este fundo sentimento de pesadelo ao entardecer desta pátria miserável cujos limites não havia de transpor jamais, e não porque tivesse medo de se mexer da cadeira em que estava sentado, segundo diziam seus inimigos, mas porque um homem é como uma árvore do mato, mãe, como os animais do mato que não saem da guarida senão para comer, dizia, evocando com a lucidez mortal do cochilo da sesta a soporífera quinta feira de agosto de há tantos anos quando se atreveu a confessar que conhecia os limites de sua ambição;"
Gabriel García Márquez, em "O outono do Patriarca" pág. 101, 1975.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Senhoras e senhores, caros leitores, estamos recebendo textos de todas as espécies e galáxias. Publicaremos aqui, neste The StCleve Chronicle. A sua timidez pode esconder um grande escrito, privando-nos do prazer de uma boa leitura. Envie-nos para: thestcleve@hotmail.com
E faça parte do The StCleve Chronicle!
E faça parte do The StCleve Chronicle!
domingo, 17 de junho de 2012
"Bem eu sou um trabalhador comum
Com uma metade de ranço - pão e geléia
E se isso me agrada
Eu farei uma gozação com você, cara
Quando o cobre desbotar
A estação das chuvas chegar
O pirata fosforescente finalmente afunda
E se eu ri um pouco rápido demais
Bem, isso cabia a mim"
Up To Me, song by Jethro Tull from Aqualung album, 19 de março de 1971.
Com uma metade de ranço - pão e geléia
E se isso me agrada
Eu farei uma gozação com você, cara
Quando o cobre desbotar
A estação das chuvas chegar
O pirata fosforescente finalmente afunda
E se eu ri um pouco rápido demais
Bem, isso cabia a mim"
Up To Me, song by Jethro Tull from Aqualung album, 19 de março de 1971.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
O espantalho
O espantalho; o tradicional é famoso. Um boneco feito de
roupas velhas e usadas: talvez seja esse o motivo da sua aparência pacata.
Chapéu? Claro que sim! Como poderia ser o chapéu, peça faltosa nesse figurino
de gala. Eis a sua forma mais simples... E como pessoa útil ou não, tenho que
dizer de que é feita sua parte interior. Suas entranhas! Tantas são as formas
de encher-te, pobre espantalho. Que a astúcia mais cretina domine a razão deste
que te encherá. E quando espantalho for de fato, espante! Não é outra a sua
saga. Nem outro o seu objetivo. Por isso que és feio!
Se os fins justificam os meios, não haveria personagem mais cabível que tu, isso mesmo espantalho, tu. Que viesse melhor desempenhar a função do espanto. Função essa que diria de certa complexidade, no seu caso, pressupondo que os supostamente espantados terão em suas cabeças um cérebro: o que quer queira quer não débil espantalho, você não tem. Para que a missão a que fora destinado seja cumprida precisa da compreensão e do medo dos que por hora se espantam. E tenha certeza, irresponsável espantalho, muitas e muitas vezes você não causa medo algum... Não permita que a incompetência lhe tome. Afinal de contas és ou não é um espantarão?
Ingênuos e injustos são os que por total engano lhe confundem com o de Escariotes. Este, foi fadado a mau lembrança. Quando na real situação cumpriu apenas com o combinado. Você, nem combina nem cumpre. Mas isso não é assunto nosso...
Como quem já vai tarde, pronunciarei rápido pelo medo do enfado, um pequeno retalho da tragédia que tu és: Espantalho, sua alma de palha e farrapos já não sabe afirmar, nem sabe negar. Como saberia?! Ele não comanda, e tampouco destrói. Também não é um espantalho-modelo; a ninguém precede, nem sucede; colocando-se muito a distância, não tem motivos para tomar partido entre o bem e mal. É um instrumento, algo como um escravo, certamente a mais medíocre espécie de escravo, mas nada em si. É o que és.
Se os fins justificam os meios, não haveria personagem mais cabível que tu, isso mesmo espantalho, tu. Que viesse melhor desempenhar a função do espanto. Função essa que diria de certa complexidade, no seu caso, pressupondo que os supostamente espantados terão em suas cabeças um cérebro: o que quer queira quer não débil espantalho, você não tem. Para que a missão a que fora destinado seja cumprida precisa da compreensão e do medo dos que por hora se espantam. E tenha certeza, irresponsável espantalho, muitas e muitas vezes você não causa medo algum... Não permita que a incompetência lhe tome. Afinal de contas és ou não é um espantarão?
Ingênuos e injustos são os que por total engano lhe confundem com o de Escariotes. Este, foi fadado a mau lembrança. Quando na real situação cumpriu apenas com o combinado. Você, nem combina nem cumpre. Mas isso não é assunto nosso...
Como quem já vai tarde, pronunciarei rápido pelo medo do enfado, um pequeno retalho da tragédia que tu és: Espantalho, sua alma de palha e farrapos já não sabe afirmar, nem sabe negar. Como saberia?! Ele não comanda, e tampouco destrói. Também não é um espantalho-modelo; a ninguém precede, nem sucede; colocando-se muito a distância, não tem motivos para tomar partido entre o bem e mal. É um instrumento, algo como um escravo, certamente a mais medíocre espécie de escravo, mas nada em si. É o que és.
BRUNO SÉRVULO
Estudante de Turismo da UERN (em greve) e Direito da Mater Christi
Estudante de Turismo da UERN (em greve) e Direito da Mater Christi
"Olhe bem nos meus olhos
Olhe bem prá você
O fato é que a gente perdeu toda aquela magia
A porta dos meus quinze anos não tem mais segredos
E velha, tão velha ficou nossa fotografia
Olhe bem nos meus olhos
Olhe bem prá você
A quem é que a gente engana com a nossa loucura
De certo que a gente perdeu a noção do limite
E atrás tem alguém que virá, que virá, que virá, que virá, que virá"
Aquela Coisa Toda
Oswaldo Montenegro em 1980.
Olhe bem prá você
O fato é que a gente perdeu toda aquela magia
A porta dos meus quinze anos não tem mais segredos
E velha, tão velha ficou nossa fotografia
Olhe bem nos meus olhos
Olhe bem prá você
A quem é que a gente engana com a nossa loucura
De certo que a gente perdeu a noção do limite
E atrás tem alguém que virá, que virá, que virá, que virá, que virá"
Aquela Coisa Toda
Oswaldo Montenegro em 1980.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Quando meu amigo Dinamite falava eu ficava a madrugada inteira a lhe escutar, era como se aquilo tudo fossem conselhos, e de fato, eram.
Considerada por esse lado, a vida é simplesmente
maravilhosa. Para conseguir ter uma transmutação de todos os valores, é
necessário talvez mais faculdades de quantas foram até agora possíveis num só
individuo; sobretudo, seriam necessárias contradições entre essas faculdades
sem que, todavia, por isso se espezinhassem ou se destruíssem entre si. Ordem hierárquica
das faculdades, sem sentido da distância, arte de superar sem provocar
discórdia; não confundir nada, não “conciliar” nada; uma infinita multiplicidade
que todavia é o contrário do caos; foi essa premissa, o longo trabalho oculto,
a operosidade artística do meu instinto. E a sua alta salvaguarda se demonstrou
fortemente, a ponto de eu, em caso algum, não ter chegado sequer a duvidar do
que se desenvolvia em mim: de que todas as minhas faculdades se revelavam de
chofre, improvisadamente, na sua perfeição mais elevada.
Friedrich Nietzsche
domingo, 10 de junho de 2012
Mércia Ivánovna
...vive o princípio da vaidade. E como clássica vaidosa se alegra;
deleita-se em cada opinião boa que ouve sobre si. Independente de qualquer
ponto de vista de utilidade que esse elogio possa lhe trazer e também, muitas
vezes, não considerando se o é falso ou verdadeiro. Assim como sofre de cada
opinião ruim. Pois se submete a ambas. Eis, um claro vestígio de escravidão.
- Os seus olhos. Ah, os seus olhos, Mércia Ivánovna! Outrora tão
brilhantes e místicos, hoje, mais parecem um lago liso e relutante, no qual já
não ondula um só encanto, uma só simpatia. Como nas analogias do Boff, as
águias se transformam em galinhas. Abandonas-te os perigos de voar alto.
Abdicou, de estar nos elevados montes e ver mais e mais coisas abaixo de si.
Limitou-se a poucos pulinhos em companhia de vários sem noção que pulam e
berram para aparecer. E aparecem, exatamente por cotidianamente berrarem e
pularem.
Ditas estas! E supondo-se que desde já se saiba que se tratam apenas de
verdades minhas, confesso: todo o contrário seria antes do meu agrado. Fica
bem...
Ethiel Ariza Teaupo
Nesse momento, completamente exausto,
Ethiel Ariza deixou cair o pincel sob a folha e olhou profundamente para o
nada. Coisa estranha: parecia que de repente, se apoderará dele uma
tranqüilidade absoluta, não se encontrava no estado de “semi-delírio” como
antes, nem de pânico como nos últimos tempos. Era esse o seu primeiro momento
de rara e repentina serenidade.
Havia bastante tempo que não
escrevia. Algo nele criava uma barreira entre o pensamento e a palavra. Em sua
cabeça os textos lhe surgiam, os mais virtuosos e incríveis. Todos devidamente
esquematizados, parágrafos, idéias... até chegar ao papel um longo caminho
precisava ser percorrido. Nesse dia ele percorreu.
Quando retomou o rumo de seus
pensamentos observou que havia passado tempo por demais ali. Notou que no canto
direito de sua boca ironicamente havia se formado um sorrisinho, no qual
transparecia uma nova e irritante impaciência.
Bruno Sérvulo Costa Leite – Estudante
dos cursos de Turismo e de Direito
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Pequena crônica da ressaca
por Bruno
Sérvulo¹
Se ontem me exprimi acerca dela daquela
maneira, foi só porque eu estava vergonhosamente embriagado e até... Até tinha
pedido juízo: sim, estava meio tonto, completamente louco... E hoje me sinto
envergonhado. E que desculpa era essa de estar embriagado? Uma desculpa
estúpida que me humilhava ainda mais! No cachorro engarrafado está a verdade e,
de fato, a verdade completa saíra à luz, isto é, aflorara à superfície toda a
maldade de meu coração, grosseiramente sincero.
Independentemente do que tenha
acontecido o meu desejo não mudou. Eu tenho muito desejo, um demasiado desejo
de saber... Assim de modo geral... como é que ela, agora encara as coisas;
quero dizer, não sei se me faço entender, não sei com devo me exprimir... Ou
melhor dizendo: o que é que agora lhe agrada e o que é que lhe aborrece? Sempre
estás tão calorosamente social! Quais são os seus desejos e, por assim dizer suas
ilusões de mulher? Quem é que tem influência pessoal sob ela? Numa palavra eu
queria...
E mesmo agora, passado todo o meu
torpor acredito que ainda me tome por louco. E, nesse sentido, efetivamente,
todos nós, e com muita freqüência, somos quase dementes, com a única diferença
que os doentes mentais são um pouco mais loucos do que nós, porque repare é
preciso discernir, distinguir. Mas é verdade que não existe o homem normal, de
maneira nenhuma; talvez entre mil, ou até vários mil apenas se encontre um, e,
ainda assim num exemplar bastante fraco! Isto; disse-me um amigo numa
madrugada.
¹ Estudante de Turismo e Direito
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Fragmentos Antigos
Verdadeiramente os deuses gregos presentearam-te com a mais bela maestria de reger um concerto de palavras. Como escreves madura. Como pergunta tanto e não se dar resposta alguma. São traços, caminhos que suas meticulosas palavras vão seguindo, como num fio de água que desce a mais alta e bela montanha como apenas um fiozinho d’água que vai... descendo e crescendo, enchendo, aglomerando em si muita força, e que finalmente encontra seu destino, o fim da linha. A queda. O transbordar de uma cachoeira, vomitando água e significados. De um alto grau, vejo suas palavras perguntadas. Queria minha limitada razão compreender a infinidades de significados que vos pertence. Seria como se pudesse tocar a uma estrela. O brilho. A força. O sentido...
Bruno Sérvulo
Verdadeiramente os deuses gregos presentearam-te com a mais bela maestria de reger um concerto de palavras. Como escreves madura. Como pergunta tanto e não se dar resposta alguma. São traços, caminhos que suas meticulosas palavras vão seguindo, como num fio de água que desce a mais alta e bela montanha como apenas um fiozinho d’água que vai... descendo e crescendo, enchendo, aglomerando em si muita força, e que finalmente encontra seu destino, o fim da linha. A queda. O transbordar de uma cachoeira, vomitando água e significados. De um alto grau, vejo suas palavras perguntadas. Queria minha limitada razão compreender a infinidades de significados que vos pertence. Seria como se pudesse tocar a uma estrela. O brilho. A força. O sentido...
Bruno Sérvulo
quarta-feira, 6 de junho de 2012
A ilustre proprietária do nada
por Bruno
Sérvulo¹
O conforto é um privilégio de poucos ainda mais nesse modelo de sociedade
onde todos nós procuramos cada vez mais melhorias para nossas vidas. Mas isso
já é sabido por todos. Ora mais é claro! O que talvez muitos não saibam é que
modelo de conforto realmente é o conforto de fato? Uma boa casa? Um bom carro? Ou
talvez tudo isso e algumas coisinhas mais?
Existem situações das mais diversas possíveis no que diz respeito ao
conforto ou a inexistência dele. Perto daqui “vive” uma cidadã como qualquer um
de nós. Porém sua situação é um pouco complicada. Ela mora na rua, e é
conhecida por pseudônimos como a maioria desses hóspedes de rua. Passa o dia
inteiro perambulando pela rua à catar miudezas, que tornam-se seus pertences.
Passa por aqui, por ali e vai e vem
ela sempre aparece perto da gente. Sempre pede um trocadinho nunca mentindo seu
objetivo para com o dinheiro arrecadado, “tomar um pinguinho” que para ser mais
objetivo é o mesmo que tomar uma lapada de cana. Quase sempre não conseguindo o
dinheiro para os vícios primordiais, que são dois, o de beber cachaça e mascar
fumo, sempre compra a cachaça com o pouco dinheiro conseguido e o outro ela
engana a pegar pontas de cigarros jogadas ao chão e mascar. Vejam bem, seu
conforto se resume a basicamente dois vícios. Que um ela já não consegue
satisfazer.
Certo
dia ela me pediu um trocado arriscando até um argumento como justificativa.
Chegou, olhou, estendeu a mão e disse:
-- você me da um
dinheirinho pra eu tomar um pinguinho? Porque você sabe, é melhor beber do que
fumar maconha...
Confesso que ri
na hora, não pela situação em que ela se encontrara, e sim pelo argumento por
ela improvisado com maestria e por ter confiado no meu conservadorismo inexistente.
Outra vez chegou e da mesma forma pediu dinheiro mais dessa vez foi menos
categórica ao argumento. Pediu dizendo que queria tomar uma cana para disparecer
um pouco, pois se encontrava muito preocupada com a vida.
Como vemos, situações de conforto
muitas vezes se confundem com a de desconforto quando vistas por uma ótica
materialista. Sinceramente não sei se ela é feliz se satisfazendo entre um gole
e outro de cachaça, mas sei que ela se encontra lá sempre indo e vindo e
procurando cada vez mais pertences para montar o seu grandioso império do nada.
E até uma sede já foi confiscada por ela à se tornar sede do seu império, a
bela e arejada esquina da cobal.
¹ Estudante de Direito e de Turismo
THE DOORS
por Breno
Cezar Costa Leite¹
A banda que
durou 5 anos e mudou a forma americana e mundial de ver, ouvir e sentir musica.
Com Jim Morrison, um vocalista extremamente carismático, simples e sempre
controverso; John Densmore, um baterista com grande influencia jazzista; Robby
Krieger, um guitarrista de estudo flamenco espanhol que nunca havia tocado uma
guitarra elétrica antes de entrar na banda; e Ray Manzarek que havia estudado
piano clássico na juventude por influencia de seus pais.
Depois de um
encontro casual de Jim e Ray na praia de Venice, Califórnia, eles resolveram
formar uma banda de rock juntando as experiências musicais de Ray e as poesias
que Jim escrevia que por sinal, acompanhou Jim ate o final de seus dias, em
Paris, formando assim a maior banda de rock americana de seu tempo. O nome “the
Doors” vem de um poema do artista e poeta do século XIX, William Blake:
"If the doors of perception were cleansed, every thing would appear to man
as it is: infinite" (em pt: Se as portas da percepção fossem abertas, tudo
apareceria como realmente é: infinito).
Com a formação
completa e um nome pra banda, não demorou muito para lançarem seu primeiro
disco intitulado de: “the Doors” em 1966. Sucesso garantido, não demorou muito
para chegarem a TOP 1 nas paradas dos EUA com a canção “Light My Fire”. O disco
ainda continha músicas como "Break On Through” que havia sido o primeiro
single da banda, "Back Door Man" um cover de uma música de Howlin'
Wolf, "The Crystal Ship" uma canção de despedida escrita por Jim para
uma ex-namorada, Mary Werbelo, “The End” um longo e dramático épico descrita
por Jim em 1969, "Toda a vez que
escuto essa canção, significa algo mais para mim. Começa como uma simples
canção de despedida provavelmente para uma garota, mas eu a vejo como uma
despedida para um tipo de infância. Eu sinceramente não sei. Eu penso que é
suficientemente complexo e universal na sua imaginação que pode ser quase
qualquer coisa que você queira". O segundo álbum “Strange Days”
lançado em Outubo de 1967, também continha a formula do sucesso do seu
antecessor, músicas como "People Are Strange" e "Love Me Two
Times" e outra épica e dramática "When the Music's Over". A
gravação do terceiro disco “Waiting for the Sun” de 1968 foi marcado pela
tensão entre os músicos e membros da produção por causa dos abusos excessivo de
álcool por Jim, a demissão de seus empresários, abandono de estúdio por John
Densmore. Mesmo assim o disco foi outro sucesso, com a musica “Hello, I Love
You” chegando ao topo das paradas, "The Unknown Soldier" banida das
rádios por sua letra controversa, as baladas “Love Street” e “Wintertime Love”
e “Spanish Caravan” onde Robby Krieger pode expor seu virtuosismo no violão
flamenco, e a política “Five To One” onde a letra dizia “... os velhos estão ficando mais velhos e o jovens ficam mais fortes...
Eles têm armas mas nós temos a maioria.” A banda ainda veio a gravar mais
três discos: “The Soft Parade”, “Morrison Hotel” e “L.A. Woman”, mas esses sem
a mesma força dos primeiros, mais com boas músicas.
Após o ultimo
disco, L.A. Woman, em Março de 1971, Jim Morrinson decide ir para Paris com sua
namorada Pámela Courson, onde ele se dedicaria a sua poesia e abandonaria a
vida de sex symbol e astro do rock, vindo a falecer dia 3 de Julho do mesmo
ano. A morte ainda considerada um mistério já que foi confirmado que não houve autópsia
no corpo. Acabando assim uma das maiores bandas da história.
¹ Breno
Cezar Costa Leite estudante do curso de Sistemas de Informação
Todas os escritos, textos, artigos, crônicas, chôros, rezas escritas e devidademente assinados por seus criativos criadores, escritores se assim preferirem, também serão de total responsabilidade dos mesmos. Digam o que quisserem, digam o que disserem...
terça-feira, 5 de junho de 2012
Boa noite!
Somos o StCleve Chronicle e aqui vamos nós...
“ – O senhor, sem dúvida, tem razão, no seu ponto de vista; Deus me deu até uma aparência que só inspira aos outros idéias cômicas; sou um bobo; mas digo e repito que o senhor, Rodion Románovitch, deve me perdoar, pois é um jovem na primeira juventude, por assim dizer, e eu sou um velho, e além disso deve me perdoar também, porque aprecia acima de tudo a inteligência humana, como todos os jovens. A sutileza da inteligência e as deduções abstratas da razão o seduzem.”
“ – O senhor, sem dúvida, tem razão, no seu ponto de vista; Deus me deu até uma aparência que só inspira aos outros idéias cômicas; sou um bobo; mas digo e repito que o senhor, Rodion Románovitch, deve me perdoar, pois é um jovem na primeira juventude, por assim dizer, e eu sou um velho, e além disso deve me perdoar também, porque aprecia acima de tudo a inteligência humana, como todos os jovens. A sutileza da inteligência e as deduções abstratas da razão o seduzem.”
Crime e Castigo Fiodor Dostoiévski , pág. 372
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