thick as a brick, Jethro Tull, 1972.

"Deixe-me contar-te as histórias de sua vida
Do seu amor e o corte da faca
Da opressão incansável, da sabedoria instilada
Do desejo de matar ou ser morto
Deixe-me cantar sobre os perdedores estirados
Na rua enquanto o último ônibus passa
As calçadas estão vazias
Nas sarjetas escorre o vermelho
Enquanto o tolo brinda seu deus no céu
"

Thick as a brick, Jethro Tull, 1972.

domingo, 24 de junho de 2012


"... viu o chuvisco eterno, a bruma matinal com cheiro de fuligem, os homens vestidos a rigor nos bondes elétricos, os enterros de nobres nas carruagens góticas de percherões brancos com morriões de plumas, as crianças dormindo enroladas em jornais no átrio da catedral, porra, que gente tão estranha, exclamou, parecem poetas, mas não eram, meu general, são os godos do poder, disseram-lhe e, havia regressado daquela viagem irritado pela revelação de que não há nada igual a este vento de goiabas podres e este fragor de mercado e este fundo sentimento de pesadelo ao entardecer desta pátria miserável cujos limites não havia de transpor jamais, e não porque tivesse medo de se mexer da cadeira em que estava sentado, segundo diziam seus inimigos, mas porque um homem é como uma árvore do mato, mãe, como os animais do mato que não saem da guarida senão para comer, dizia, evocando com a lucidez mortal do cochilo da sesta a soporífera quinta feira de agosto de há tantos anos quando se atreveu a confessar que conhecia os limites de sua ambição;"  

Gabriel García Márquez, em "O outono do Patriarca" pág. 101, 1975.

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