"... viu o chuvisco eterno, a bruma matinal com cheiro de fuligem, os homens vestidos a rigor nos bondes elétricos, os enterros de nobres nas carruagens góticas de percherões brancos com morriões de plumas, as crianças dormindo enroladas em jornais no átrio da catedral, porra, que gente tão estranha, exclamou, parecem poetas, mas não eram, meu general, são os godos do poder, disseram-lhe e, havia regressado daquela viagem irritado pela revelação de que não há nada igual a este vento de goiabas podres e este fragor de mercado e este fundo sentimento de pesadelo ao entardecer desta pátria miserável cujos limites não havia de transpor jamais, e não porque tivesse medo de se mexer da cadeira em que estava sentado, segundo diziam seus inimigos, mas porque um homem é como uma árvore do mato, mãe, como os animais do mato que não saem da guarida senão para comer, dizia, evocando com a lucidez mortal do cochilo da sesta a soporífera quinta feira de agosto de há tantos anos quando se atreveu a confessar que conhecia os limites de sua ambição;"
Gabriel García Márquez, em "O outono do Patriarca" pág. 101, 1975.
Nenhum comentário:
Postar um comentário