thick as a brick, Jethro Tull, 1972.

"Deixe-me contar-te as histórias de sua vida
Do seu amor e o corte da faca
Da opressão incansável, da sabedoria instilada
Do desejo de matar ou ser morto
Deixe-me cantar sobre os perdedores estirados
Na rua enquanto o último ônibus passa
As calçadas estão vazias
Nas sarjetas escorre o vermelho
Enquanto o tolo brinda seu deus no céu
"

Thick as a brick, Jethro Tull, 1972.

domingo, 10 de junho de 2012


Mércia Ivánovna



...vive o princípio da vaidade. E como clássica vaidosa se alegra; deleita-se em cada opinião boa que ouve sobre si. Independente de qualquer ponto de vista de utilidade que esse elogio possa lhe trazer e também, muitas vezes, não considerando se o é falso ou verdadeiro. Assim como sofre de cada opinião ruim. Pois se submete a ambas. Eis, um claro vestígio de escravidão.

- Os seus olhos. Ah, os seus olhos, Mércia Ivánovna! Outrora tão brilhantes e místicos, hoje, mais parecem um lago liso e relutante, no qual já não ondula um só encanto, uma só simpatia. Como nas analogias do Boff, as águias se transformam em galinhas. Abandonas-te os perigos de voar alto. Abdicou, de estar nos elevados montes e ver mais e mais coisas abaixo de si. Limitou-se a poucos pulinhos em companhia de vários sem noção que pulam e berram para aparecer. E aparecem, exatamente por cotidianamente berrarem e pularem.

Ditas estas! E supondo-se que desde já se saiba que se tratam apenas de verdades minhas, confesso: todo o contrário seria antes do meu agrado. Fica bem...

                                                                                                          Ethiel Ariza Teaupo


Nesse momento, completamente exausto, Ethiel Ariza deixou cair o pincel sob a folha e olhou profundamente para o nada. Coisa estranha: parecia que de repente, se apoderará dele uma tranqüilidade absoluta, não se encontrava no estado de “semi-delírio” como antes, nem de pânico como nos últimos tempos. Era esse o seu primeiro momento de rara e repentina serenidade.

Havia bastante tempo que não escrevia. Algo nele criava uma barreira entre o pensamento e a palavra. Em sua cabeça os textos lhe surgiam, os mais virtuosos e incríveis. Todos devidamente esquematizados, parágrafos, idéias... até chegar ao papel um longo caminho precisava ser percorrido. Nesse dia ele percorreu.

Quando retomou o rumo de seus pensamentos observou que havia passado tempo por demais ali. Notou que no canto direito de sua boca ironicamente havia se formado um sorrisinho, no qual transparecia uma nova e irritante impaciência.   





Bruno Sérvulo Costa Leite – Estudante dos cursos de Turismo e de Direito 

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