thick as a brick, Jethro Tull, 1972.

"Deixe-me contar-te as histórias de sua vida
Do seu amor e o corte da faca
Da opressão incansável, da sabedoria instilada
Do desejo de matar ou ser morto
Deixe-me cantar sobre os perdedores estirados
Na rua enquanto o último ônibus passa
As calçadas estão vazias
Nas sarjetas escorre o vermelho
Enquanto o tolo brinda seu deus no céu
"

Thick as a brick, Jethro Tull, 1972.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Eu me preparei,
tomei banho,vesti uma roupa qualquer,
não quis usar perfume e nem batom,
sentei-me na cadeira mais próxima a porta de saída,
planejava fugir,mas não resolveria nada,
entre um gole e outro do mais barato vinho
eu chorei,acho que estou sendo modesta,
eu solucei como se eu tivesse perdido uma guerra
e tudo ficasse sem sentido.
Ouvi alguém chamar meu nome,me esforcei pra
abrir a porta e fingi um breve sorriso,
então das mãos frias da minha indesejada visita
peguei uma carta,eu até já previa o que iria ler,
mesmo assim fiz questão de soletrar mentalmente tudo ali escrito,
engoli cada palavra como se tomasse um litro de pimenta pura,
em poucos minutos fitei a porta e tive a certeza
quando olhei em seus olhos,era chegada a hora de ir.
Andamos então pelas ruas e enfim chegamos ao endereço
destinado que me foi mandado em palavras sucintas,
eu já havia estado ali antes,
saquei meu revólver simples,de liquidação no mercado negro
e entrei na casa,revistei tudo mas não havia ninguém lá,
que tipo de trabalho era este então?
Foi aí que entendi o que significava a última oração da carta que recebi:
chegando lá,dentro da imensidão do nada,lembre-se de eliminar
a única pessoa que lhe fez mal.
Neste caso,era eu mesma.
Prazer,eu me chamo a morte,e foi assim
que eu comecei a trabalhar,
matando a mim mesma

Ana Clara Duarte

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